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José Maurício Nunes Garcia

José Maurício Nunes Garcia



José Maurício Nunes Garcia (1767-1830)

Mesmo sofrendo o preconceito de alguns membros da corte, José Maurício Nunes Garcia foi considerado um dos maiores compositores das Américas de seu tempo.

José Maurício Nunes Garcia nasceu no Rio de Janeiro a 22 de setembro de 1767. Era filho de Apolinário Nunes Garcia e Victória Maria da Cruz, filha de escravos. Desde cedo revelou-se talentoso para a música, tendo composto sua primeira obra em 1783, aos 16 anos. Teria aprendido música com Salvador José de Almeida Faria, músico mineiro.

Em 1792 foi ordenado padre e, em 1798, tornou-se mestre-de-capela da Sé Catedral do Rio de Janeiro, que nessa época funcionava na Igreja da Irmandade do Rosário e São Benedito. Como mestre-de-capela, José Maurício Nunes Garcia compunha novas obras e dirigia os músicos e cantores nas cerimônias da Sé, além de atuar ele mesmo como organista.

Em 1808, a chegada da Família Real Portuguesa ao Rio de Janeiro mudou o panorama artístico da cidade. José Maurício Nunes Garcia caiu nas graças do Príncipe-Regente D. João VI, grande admirador de música, que o nomeou mestre da Capela Real, recém-criada nos moldes da que existia na corte de Lisboa e formada por músicos locais e europeus. A Capela Real funcionava na Igreja do Carmo da cidade, que passou a ser também a catedral.

O período entre 1808 e 1811 foi o mais produtivo de José Maurício Nunes Garcia, durante o qual ele compôs cerca de setenta obras. Em 1809, D. João VI condecorou-o com o Hábito da Ordem de Cristo, sinal da grande estima que tinha pelo músico. Não escapou porém do preconceito de alguns membros da corte, que se referiam à sua cor de pele como um "defeito visível".

Em 1811 chegou à corte Marcos Portugal, o compositor português mais célebre do seu tempo, que tinha suas obras apresentadas por toda a Europa de então. A fama do recém-chegado levou D. João VI a pôr Marcos Portugal à frente da Capela Real, substituindo José Maurício Nunes Garcia. O brasileiro continuou, porém, a ser custeado pelo governo e a compor esporadicamente novas obras para a Capela Real.

Em 1816 dirigiu na Igreja da Ordem Terceira do Carmo um Requiem, de sua autoria, em homenagem à rainha portuguesa D. Maria I, morta naquele ano no Rio.

Em 1816 chegou à corte o compositor austríaco Neukomm, que estabeleceu uma grande amizade com o brasileiro. Mais tarde José Maurício Nunes Garcia dirigiu as estréias brasileiras do Requiem de Mozart (1819) e de A Criação de Haydn (1821).

O empobrecimento da vida cultural após o retorno de D. João VI a Portugal e a crise financeira depois da Independência do Brasil (1822) causaram uma diminuição da atividade de José Maurício Nunes Garcia, agravada pelas más condições de saúde do compositor. Em 1826 compôs sua última obra, a Missa de Santa Cecília, para a irmandade de mesmo nome. Morreu em 18 de abril de 1830. Apesar de ser padre, teve cinco filhos, os quais reconheceu um.

José Maurício Nunes Garcia foi considerado um dos maiores compositores das Américas de seu tempo. Compôs cerca de 26 Missas, quatro missas de Requiem, responsórios, matinas, vésperas, um miserere, um Stabat Mater, um Te Deum, Hinos, modinhas e pequenas peças profanas.


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