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Heitor Villa-Lobos

Heitor Villa-Lobos



Villa-Lobos (1887-1959)

Considerado o maior compositor das Américas, sua arte vive a discrepância de uma genialidade mundialmente celebrada e a restrita valorização no Brasil.

Heitor Villa-Lobos nasceu no Rio de Janeiro a 5 de março de 1887. O sobrenome parece certo, é do espanhol Villalobos; a forma com hífen revela um esforço de aportuguesamento, razão que justifica também a grafia Vila-Lobos. Muito cedo o próprio pai iniciou-o nos estudos de solfejo e teoria musical bem como na prática de clarineta e do violoncelo.

Aos 13 anos de idade já se tornara assíduo freqüentador de serenatas, integrando os mais famosos conjuntos seresteiros da época. Nessa precoce experiência boêmia, adquiriu conhecimento do violão, que chegou a tocar como virtuose. Para esse instrumento, escreveu mais tarde vários estudos, prelúdios e um concerto, dedicados a Segovia.

Além das serestas e dos 'choros', Villa-Lobos ampliou o seu contato com a música popular ao conhecer Ernesto Nazareth, de cujas obras foi o primeiro a vislumbrar a importância.

Em 1905, com o dinheiro que lhe rendeu a venda de livros raros, herdados do pai, Villa-Lobos percorreu vários Estados do Norte, até Pernambuco, em íntima convivência com a música do povo. De volta ao Rio de Janeiro, pensou em sistematizar sua formação musical. Mas logo se indispôs com a rotina acadêmica do Instituto Nacional de Música e, de novo, parte em peregrinação pelo interior brasileiro. Sempre com a finalidade de assimilar as manifestações do folclore musical, percorre as regiões Sul e Centro-Oeste, fechando a rota com uma permanência na Amazônia.

Fixando em sua cidade natal, por volta de 1913, Villa-Lobos encontra-se em intensa atividade criadora, abordando os mais diversos gêneros. Já iniciara a atividade espantosa, que elevaria para cerca de mil o número de suas composições. Em várias obras desse período é marcante a influência de Debussy.

Enquanto a Suíte floral (1914) para piano e o Canto do cisne negro (1917) para piano e violoncelo aparecem numa atmosfera nitidamente impressionista, as Danças africanas (1914) trazem um cunho vivo de originalidade, trabalhadas sobre autêntico material afro-brasileiro e ameríndio.

Ainda transparecendo influência estrangeira e, ao mesmo tempo, já se expressando numa linguagem própria, Villa-Lobos começa a se impor no cenário cultural do Brasil. Em 1922 toma parte destacada na Semana de Arte Moderna em São Paulo. O reconhecimento oficial também se manifestou, através da encomenda de trabalhos sinfônicos.

No ano seguinte o mecenato de alguns amigos o leva até Paris, onde promove uma primeira apresentação de suas obras, sob vaia impenitente do começo ao fim. Finalmente, em 24 de outubro e 5 de dezembro de 1927, na sala Gaveau, obtém o sucesso desejado. Dos programas constaram os Choros n.ºs 2, 3, 4, 8, 10, o Rudepoema e a suíte Prole do bebê (piano), as Serestas e os Poemas indígenas (3) para canto e orquestra, além de Na Bahia tem (coro à capela), Cantiga de roda (coro e orquestra) e o Noneto.

No momento em que surge ante a cultura do Velho Mundo, Villa-Lobos tem definidos os elementos básicos de sua arte. Primeiramente o folclore; mas essa substância primitiva, de que se impregnara desde cedo, não a utiliza de maneira direta. Filtra esse material, torna-o depurado pela ação vigorosa de sua personalidade. Depois, a sensibilidade aos idiomas musicais estrangeiros, que é notada não somente em relação ao de Debussy.

Nesse primeiro triunfo parisiense deixou bem à mostra o conhecimento da linguagem stravinskyana. O resultado é um vasto painel rapsódico, onde as desigualdades, inevitáveis por força da produção imensa, são compensadas pela predominância de obras de alto valor. Entre estas, várias possuem significação universal. E em todas, como constante inarredável, uma marca viva e forte de legítima brasilidade.

Essa marca de autêntico nacionalismo, colocada de maneira a atingir uma grandeza universal, Villa-Lobos apresenta em seu primeiro triunfo em Paris. Sobretudo através do Noneto (1923), para instrumento e coro, intitulado Impressões rápidas de todo o Brasil, e que é como o próprio programa folclorista do mestre. É o programa cujo ponto máximo são os Choros. E aos cinco que apresentou na sala Gaveau, mais tarde vão-se juntar outros num total de 14 (completando com uma Introdução para orquestra e com o Choros-Bis, para violino e violoncelo - respectivamente escritos em 1929 e 1928). Todo o processo criador de Villa-Lobos se sintetiza nesses Choros. Os mais famosos são o n.º 5, para piano solo, e o n.º 10, para orquestra e coro, que inclui o Rasga coração, tema popular.

A suíte Prole do bebê, para piano (1918-1926) logo levou o nome de Villa-Lobos a figurar nos programas dos grandes pianistas, entre eles Arthur Rubinstein, que, aliás, tomou parte naqueles concertos na sala Gaveau. Ao célebre virtuose está dedicado o Rudepoema (1926), obra-prima, mais tarde orquestrada pelo autor.

Também são obras-primas as Cirandas (1926), e os números do Ciclo brasileiro (1935), reveladores de uma escritura pianística poderosamente original. O mesmo ocorre nas obras com orquestra, inclusive os concertos, dentre os quais o n.º 5 é o mais executado. As mais importantes realizações pianísticas de Villa-Lobos são datadas de sua primeira fase - lembrando, de algum modo, o caso de Schumann. A própria suíte Prole do bebê já foi elogiosamente comparada com às Cenas da infância, do mestre alemão.

Em 1930, apesar de já famoso em toda a Europa, com obras apresentadas por grandes regentes, Villa-Lobos decidiu voltar para o Brasil. Começou então a fase de viva preocupação com o desenvolvimento artístico do país. Em São Paulo, obtém apoio governamental para a realização de caravanas musicais pelo interior do Estado. Depois, no Rio de Janeiro, promove gigantescas concentrações orfeônicas em estádio esportivo.

No seu afã pedagógico, o mestre tinha escolhido o canto oral como meio de formar musicalmente a mocidade. Para essa finalidade compõe o Guia prático (1932), 'monumental antologia folclórica', que também publica em versão para piano. O esforço educacional de Villa-Lobos vai culminar quando consegue a oficialização do ensino da música nas escolas.

Ao mesmo tempo que 'ensinava o Brasil a cantar', Villa-Lobos prosseguia a sua atividade como compositor. Agora dá inicio ao corpus das Bachianas brasileiras (9), cuja origem remonta àquelas peregrinações pelo interior do país, quando constatou a semelhança de modulações e contracantos do nosso folclore musical com a música de J.S.Bach. Misturando esse material primitivo com formas pré-clássicas, o resultado é uma síntese absolutamente original, onde a técnica e o espírito do 'Kantor de Leipzig' aparecem envolvidos em cadências brasileiríssimas.

Ao vincular o Brasil a J.S.Bach, Villa-Lobos caracterizou-se como um dos maiores músicos do nosso tempo. No mundo inteiro as Bachianas são as mais conhecidas de suas obras. Principalmente tornou-se popular a n.º 5 para voz de soprano e conjunto de violoncelos (1938), mas também são de alta categoria as n.ºs 1, 2 e 4 e outras Bachianas.

Bachianas e Choros são obras sui generis, sem qualquer esquema formal; mas constituem a espinha dorsal da produção de Villa-Lobos. Nem por isso, as que se podem enquadrar no âmbito da 'forma' são menos importantes. Assim as 12 sinfonias, destacando-se a n.º 6, escrita sob a linha cartográfica das montanhas do Brasil (1944), e a n.º 10, com coro, denominada Sumé, pai dos pais (1952). Assim também os 17 quartetos para cordas, os concertos para piano, os concertos para violoncelo, o Concerto para violão (que Villa-Lobos manejou virtuosisticamente o violoncelo), os trios, os quintetos.

E ainda óperas - como Malazarte (1921); bailados - como Uirapuru (1917); suítes - como o impressionante Descobrimento do Brasil, composta para acompanhar um filme. Enfim, uma 'floresta tropical de obras', onde o emaranhado da construção impede não impede a visão do gênio.

Desde o retorno da Europa, a genialidade de Villa-Lobos foi-se incorporando ao patrimônio artístico-cultural do Brasil. As resistências contra sua obra terminaram afogadas na onda de louvores e honrarias. Suas obras passaram a ter lugar nos catálogos internacionais de discos, com destaque especial para as Serestas: datadas de 1925, essas peças vocais têm como textos versos de poetas brasileiros como Manuel Bandeira.

Apesar da linha melódica guardar reminiscências da ópera italiana, os lieder de Villa-Lobos possuem estrutura tipicamente folclórica. A produção de Villa-Lobos continuou fluindo dessa dupla vertente: influência estrangeira e folclore nacional. Villa-Lobos morreu no Rio de Janeiro a 17 de novembro de 1959.

Louvável tem sido o esforço do Museu Villa-Lobos em manter acesa a memória do mestre. Mas permanece a discrepância entre a medida de uma genialidade mundialmente celebrada e o número restrito das execuções das obras no país.



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Oscar Lourenzo Fernandez

Oscar Fernandez (1897-1948)



Oscar Lourenzo Fernandez teve como principal mérito ter sido um dos principais impulsionadores de uma música nacional brasileira.

Oscar Lourenzo Fernandez nasceu no Rio de Janeiro em 4 de novembro de 1897. Compositor brasileiro de ascendência espanhola, o seu principal mérito advém do fato de ter sido um dos principais impulsionadores da música nacional brasileira, quer pela atuação que teve como seu organizador quer pelas obras que compôs. Fernandez morreu no Rio de Janeiro em 26 de agosto de 1948.

É lhe apontada uma certa deficiência na sua formação técnica, todavia, merecem ser citadas as seguintes obras: Trio brasileiro (1923), a ópera Malazarte (1941) baseada numa lenda nativa, o poema sinfônico Impbapara, a suíte O reinado do pastoreio de temas populares, as Variações sinfônicas para piano e orquestra, a suíte para quinteto de sopro, Estudos em forma de sonatina (3), Suítes brasileiras (3) para piano e diversas melodias.



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Antonio Carlos Gomes

Antonio Carlos Gomes


Carlos Gomes (1836-1896)

Mesmo criando óperas ao estilo italiano da época e, portanto, distante das tendências nacionalistas, Carlos Gomes é considerado um dos maiores compositores brasileiros.

Antonio Carlos Gomes nasceu em Campinas, em 11 de julho de 1836. Iniciados os seus estudos com o seu pai, que era chefe de banda em Campinas, cedo começou a compor. No conservatório do Rio de Janeiro estudou com J.Giannini e começou a sua produção operística com as óperas A noite no castelo (1861) e Joana de Flandres (1863), após o que parte para a Itália com pensão concedida por D.Pedro II para se aperfeiçoar.

Em Milão viu os seus primeiros êxitos com as comédias musicais Se sa minga e Nella luna, consolidados com a ópera O guarani (1870), apresentada no Scala de Milão. Seguiram-se depois as óperas Fosca (1873), Salvador Rosa (1874), Maria Tudor (1879), O escravo (1889), O condor (1895). Nomeado diretor do conservatório de Belém, morreu poucos meses depois nesta mesma cidade, em 16 de setembro de 1896.

Carlos Gomes pode ser considerado um dos maiores compositores brasileiros, mas a sua música de belas melodias, moldadas pelo estilo italiano da época (embora com Fosca o quisessem acusar de wagnerismo) não está de modo nenhum dentro das tendências nacionais brasileiras. Ao lado das óperas citadas, podemos colocar ainda a ode Il saluto del Brasile (1876) e a cantata Colombo (1892), escrita para o Festival Colombo.




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Antonio Francisco Braga

Antonio Francisco Braga



Francisco Braga (1868-1945)


Francisco Braga teve um papel importante na remodelação do estudo e ensino de música no Brasil, sobretudo através da reforma do antigo Conservatório Imperial.

Antonio Francisco Braga nasceu no Rio de Janeiro em 15 de abril de 1868. Compositor, professor e chefe de orquestra, teve um papel importante na remodelação do estudo e ensino de música no Brasil, sobretudo através da reforma do antigo Conservatório Imperial pois a sua formação tinha sido completada na França, na Alemanha e na Itália. Antonio Francisco Braga morreu no Rio de Janeiro em 14 de março de 1945.

Entre as suas obras devem destacar-se as seguintes: o poemas sinfônicos Marabá - influenciado por Wilhelm Richard Wagner - e Insônia, as óperas Jupira (1900) e Anita Garibaldi (1901), os melodramas O contratador de diamantes e Noite de outubro, o Trio em sol menor e numerosas melodias.





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João Gomes de Araújo

João Gomes de Araújo



João Gomes de Araújo (1846-1944)

João Gomes de Araújo nasceu em Pindamonhangaba (1846). Repartiu a sua formação e atividade musical entre o Rio de Janeiro e Milão, onde marcou o seu estilo como compositor melodista.

A permanência na Itália marcou o seu estilo como compositor melodista que deixou uma obra abrangendo vários gêneros e formas. Dela fazem parte 5 sinfonias, 6 missas e as óperas Maria Petrowna, Edméia, Carmezina e Helena. João Gomes de Araújo morreu em São Paulo, em 1944.



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Gina de Araújo

Gina de Araújo




Gina de Araújo (1890-1960)

Gina de Araújo nasceu no Rio de Janeiro em 1890. Embora sua principal atividade tivesse sido sobretudo como cantora, Gina distinguiu-se também como compositora de numerosas canções, um poema sinfônico (Evocação) , uma missa Requiem e os quadros musicais chamados de Cega Rega (1943).

Foi o primeiro músico brasileiro a ser admitido na Sociedade de Atores e Compositores de Música de Paris (1906), onde estudou com Massenet e outros mestres, sendo também distinguida pela Academia Francesa.


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Olivier Messiaen

Olivier Messiaen


Messiaen (1908-1992)

Encontrou os seus melhores modelos na natureza que conhece bem (em especial, nos pássaros) e a sua inspiração tem como fonte a sua intensa fé católica.

Olivier Messiaen nasceu em Avignon (França), em 10 de dezembro de 1908. Filho de Pierre Messiaen (professor de letras e tradutor de Shakespeare) e da poetisa Cecile Sauvage, cresceu num clima de inteligência estética e o seu prodigioso instinto musical manifestou-se a partir dos oito anos, nas suas primeiras tentativas de composição. Aos onze anos, entrou para o conservatório de Paris, onde teria como professor J.N.Gallon (harmonia), Caussade (fuga), Dupré (órgão), Emmanuel (história) e Dukas (composição) e obtém cinco primeiros prêmios.

A partir de 1931 foi organista na igreja da Trindade, em Paris. Paralelamente estudou o cantochão, a rítmica hindu, a música em quartos de tom, o canto dos pássaros, os livros santos, a poesia surrealista. A sua reputação aumentou rapidamente: as pessoas corriam para a Trindade, a fim de ouvirem as suas improvisações invulgares e, a partir da apresentação, em 1931, nos concertos Straram, de Offrandes oubliées, os meios musicais esperavam as suas obras com curiosidade.

Em 1936, descobriu a profunda originalidade da música de Jolivet e foi um dos fundadores do grupo Jeune france (Jolivet, Lesur, Baudrier). Prisioneiro durante a guerra no Stalag VIII A, em Gorlitz (1940-1942), compôs aí uma de suas obras-primas o Quarteto para o fim dos tempos (apresentado em primeira audição no campo, em 1941). Logo após a guerra, as suas novas obras (e, sobretudo, as Três peças litúrgicas da presença divina) desencadeiam, na imprensa musical, uma tempestade hostil cuja violência difamatória não tem, provavelmente, na história da crítica.

Aliás, atacou-se menos a sua música do que os seus comentários místicos e poéticos. No entanto, a sua influência nas novas gerações de músicos tornou-se considerável: a partir de 1942, foi professor de harmonia no Conservatório, onde, em 1947, foi criada para ele a cadeira de análise e estética musicais. Alguns dos seus alunos, como Boulez, abandonam-no durante algum tempo para se submeterem às disciplinas ascéticas ensinadas por Leibowitz, sumo sacerdote do dodecafonismo.

Mas em 1949, um pequeno estudo para piano de Messiaen (Mode de valeurs et d'intensités) devolveu-lhe a confiança dos discípulos infiéis e abriu o caminho aos jovens músicos de vanguarda, de que Boulez se tornou padrinho no Domaine musical: a música verdadeiramente nova que faz rebentar o quadro da técnica serial ,e que se insere tão bem na perspectiva da revolução iniciada por Webern como na dos princípios estéticos do próprio Messiaen.

Estes princípios, demasiado complexos para que se possa sequer resumir aqui, foram explicados por Messiaen na sua obra Technique de mon langage musical (1944). A sua principal originalidade é ter 'alargado, ampliado algumas noções antigas' (noções de pedal, de acento, de célula rítmica) e procurando 'regras universais, princípios unificadores': regras que, ao mesmo tempo, se aplicam à melodia, à harmonia, ao ritmo (valores acrescentados, pedais, princípios da variação, do desenvolvimento).

Desta idéia de unificação nasceu o seu último estilo (Mode de valeurs et d'intensités, Livro do órgão, Cronocromia) onde as regras de desenvolvimento retiradas da técnica serial, ou de outras técnicas mais pessoais, se aplicam já não só ao aspecto melódico da música (alturas), mas também ao ritmo (durações), aos matizes (intensidades), à instrumentação (timbres). Encontrou os seus melhores modelos na natureza que conhece bem (em especial, nos pássaros) e a sua inspiração tem como fonte a sua intensa fé católica. Messiaen morreu em Clichy (França), em 1992.


Obras: 

Música vocal: Poemes pour mi, Chants de terre et de ciel, Harawi, Petites liturgies de la présence divine (coro de vozes femininas e orquestra, 1944), Cinq rechants para 12 vozes a capela (1949).

Música sinfônica: Offrandes oubliées (1930), Turangalila Symphonie em 10 andamentos (1948), Réveil des oiseaux (1953) e Oiseaux exotiques para piano e orquestra, Chronochromie (1960).

Música de câmara: Quatuor pour la fin du temps para piano, violino, clarineta e violoncelo (1941); piano: Prelúdios (8), Visions de l'Amen para 2 pianos (1943), Regards sur L'efant Jesus (20) (1944), Mode de valeurs et d'intensités, Neumes rythmiques, e Ile de feu (1949-1950), Catalogue d'oiseaux (1960).

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Darius Milhaud

Darius Milhaud



Milhaud (1892-1974)

Compositor de extraordinária fecundidade e obra desigual, Milhaud foi integrante do neoclassicista Grupo dos Seis. Deixou uma importante obra dedicada ao Brasil.

Darius Milhaud nasceu em Aix-en-Provence (França) em 4 de setembro de 1892. Estudou no Conservatório de Paris com Dukas e d'Indy. Foi entre 1914 e 1918 secretário particular de Paul Claudel, então embaixador da França no Rio de Janeiro. Depois da I Guerra Mundial formou, em Paris, com Honegger e outros amigos o Grupo dos Seis, empenhados em criar uma música autenticamente francesa. Também foi decisivamente influenciado pelo politonalismo de Stravinsky.

Em meados de 1940 fugiu da França ocupada, sendo perseguido em razão de sua descendência judaica. Nos Estados Unidos, foi professor no Colégio de Mill, na Califórnia. Em 1945, voltou para Paris, assumindo a cátedra do Conservatório. Morreu em Genebra (Suíça), em 22 de junho de 1974.

Milhaud é compositor de extraordinária fecundidade. Escreveu cerca de 350 obras, entre elas 18 quartetos para cordas, só 'para superar o número dos 17 quartetos de Beethoven', como disse.

A crítica contemporânea sente dificuldade em separar, entre tantas obras, o trigo e o joio. Há quem prefira certas obras instrumentais, como a Música de concerto Op. 50 (1931), escrita para a orquestra sinfônica de Boston e por isso chamada de Sinfonia de Boston, ou o Concerto para piano, metal e harpas (1938). Também se elogiam muito as magistrais variações no Concerto filarmônico (1932).

Outro grupo de críticos prefere as imponentes obras vocais de Milhaud. É sobretudo digno de nota o Service pour le Sabbath (1947), talvez a única obra musical moderna escrita para a liturgia judaica. De inspiração semelhante é o oratório Davi (1954), que foi estreado em Israel. Mas Milhaud também escreveu um Te Deum - Hino ambrosiano (1946), que foi cantado na catedral de Notre-Dame de Paris, e uma sinfonia coral Pacem in terris, sobre trechos da homônima encíclica do papa João XXIII.

A parte mais discutida e mais discutível da obra de Milhaud é a destinada ao teatro. Aos efeitos retumbantes e nem sempre muito originais parece corresponder a substância musical. São, em todo caso, dignos de nota: Orestie (1924), libreto de Claudel, a ópera trágica O pobre marujo (1926) e, sobretudo, Cristóvão Colombo (1930), outra vez com libreto de Claudel, a obra mais original de Milhaud, ao passo que Médée (1939) e Bolívar (1943) obtiveram pouco sucesso.

Uma das melhores obras de Milhaud é o balé Boi no telhado (1919), em que o compositor aproveita material folclórico latino-americano. Para piano escreveu a suíte Saudades do Brasil (1921), depois orquestrada, cujos movimentos têm como títulos os nomes de bairros do Rio de Janeiro.


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André Jolivet

André Jolivet


André Jolivet nasceu em Paris, em 8 de agosto de 1905. Estudou pintura, depois, sonhou com o teatro (montava e interpretava espetáculos dramáticos), antes de se dedicar à música. Os seus estudos musicais, começados na Escola Normal, continuaram com Paul de Flem (1927-1932) e Edgar Varese (1930-1933). O primeiro ensinou-lhe as disciplinas clássicas com uma inteligência e um liberalismo esteticamente incomparáveis; o segundo, pioneiro na música "experimental", iniciou-o nas leis da acústica e nos sortilégios da orquestra.

Em 1935, logo após os estudos, Jolivet compôs uma obra magistral, revolucionária, onde se afirmou desde logo, o seu estilo muito pessoal: Mana, suíte de 6 peças curtas para piano, apresentadas ao público pouco depois, num dos primeiros concertos da Spirale. Esta associação de música de câmara, fundada por Messiaen e Lesur, deu origem, no ano seguinte, ao grupo Jeune France, graças à intervenção de Baudrier.

Os quatro jovens músicos, ligados principalmente pela amizade, só tinha como programa a defesa dos valores espirituais na mais completa independência estética. O primeiro concerto do Jeune France realizou-se em junho de 1936, sob a direção de Désormiere e com o patrocínio de Duhamel, Mauriac, Valéry, etc. As pesquisas melódicas, harmônicas e rítmicas de Jolivet exerceram, então, uma profunda influência sobre a evolução do estilo de Messiaen.

Em 1943, Jolivet foi chamado para dirigir a música de Honegger para as representações de Soulier de satin na Comédia Francesa, onde seria diretor de música durante quinze anos (1945-1960). A partir de 1960, dirigiu em Aix-en-Provence um conservatório internacional dedicado ao ensino superior da música, num espírito deliberadamente aberto a todas as pesquisas musicais do nosso tempo. Jolivet morreu em Paris, em 20 de dezembro de 1974.

Desde 1939, que Jolivet queria 'devolver à música o seu caráter original antigo, quando era expressão mágica e encantadora da religiosidade dos grupos humanos': daí, Mana ('mana é aquela força que nos prolonga nos nossos feitiços familiares'), Cinco danças rituais, Cosmogonie, etc. A sua música pode ainda exprimir mais simplesmente a condição humana na sua trágica grandeza (Trois complaintes du soldat, uma obra-prima).

Mas impôs-se sempre à sua consciência a função social da música, que nunca quis tratar como uma mera 'arte de concordância'. As inovações espetaculares, a originalidade dos meios utilizados (harmona natural baseada em fenômenos de ressonância, utilização de "modos" novos, de ritmos de notação complexa, determinados pelas frases e as intensidades do "fluxo sonoro"), esses elementos de uma sutil alquimia sonora desaparecem no campo de forças de uma vontade criadora, que exerce no ouvinte um poder de encantamento singularmente eficaz.

Escreveu a ópera bufa Dolores, o oratório La vérité de Jeanne, uma missa para vozes, órgão e tamborim, Suíte Litúrgica (vozes, oboé, violoncelo, harpa), Trois complaintes du soldat (vozes e orquestra de câmara), Poemas íntimos (idem), Épithalame (para orquestra vocal); obras sinfônicas (Cinco danças rituais, Psyché, Cosmogonie, Suíte Transocéane, 2 sinfonias), concertos para diversos instrumentos (ondas Martenot, piano, trompete, flauta, harpa, fagote, violoncelo), música de cena (incluindo a de Antigona), Mana, 2 sonatas para piano e um quarteto para cordas.

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